Ana Paula Holzbach, 20 Linhas tortas de um livro mal escrito. pessoa(s) me dissecando.

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Amar é sentir os fluídos do teu corpo adentrarem o meu e querer transformá-los em parte minha -célula, tecido, organismo- pelo o contato da derme, superfície rasa ao alcance das mãos. É fazer do meu campo de visão uma só paisagem de cabelos castanho claros e sorriso aberto, e não querer acordar sequer um dia sem contemplá-la. É fazer dos seus variados tons de voz minhas músicas prediletas e colecionar álbuns delas na memória. É unir consoante a vogal em um só significado e escrever uma vida entre dois seres.

Te amar é fazer da tua alma minha pousada e do teu corpo meu alimento.

Ana Paula, prefácio de um livro em construção

 

 

+ Trecho de memória em movimento

Este corpo decrépito -surrupiado, corrompido- ainda sente a vibração de cada nota musical ecoando na profundeza oceânica de si; ainda consegue ensaiar seus peixes em um balé russo (plié, grand jeté… eté, eté…), em sexta e quinta posições, pernas e braços, pescoço e tronco.

Mergulhar em terra firme. Cavar o inantigível. Tesouro de pirata escondido sob um “x” inexistente. Privilégio provocado por pés em meia ponta. Pra quem tem a alma em ebulição (100ºC) e o corpo em coreografia. 

     H. 

 

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+ "Sentia vontade de chorar, mas não saía lágrima alguma. Era só uma espécie de tristeza, de náusea, uma mistura de uma com a outra, não existe nada pior. Acho que você sabe o que quero dizer, todo mundo, volta e meia, passa por isso, só que comigo é muito freqüente, acontece demais."

— Charles Bukowski. (via florezia)


+ "Santidade de escrever,
insanidade de escrever
equivalem-se. O sábio
equilibra-se no caos."

Drummond, “Retrato de Erasmo de Rotterdam”


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